O Que Devo Fazer com Jesus? – J. R. Miller

Perguntou Pilatos: “Que farei então com Jesus, chamado Cristo?” Todos responderam: “Crucifica-o!” (Mateus 27:22)

Pilatos esteve em uma posição nada invejável. Sem dúvida, ele se sentiu honrado quando foi nomeado procurador da Judéia. Mas a honra trouxe-lhe uma responsabilidade que o deixou aflito. Pilatos não sabia, quando foi acordado tão cedo naquela manhã de abril, que aquela sexta-feira era o dia do juízo final para ele. Ele não sabia, quando estava passando pelas várias etapas do julgamento de Jesus, que estava fazendo um registro de infâmia para si mesmo! Seria melhor que ele perdesse mil vezes a honra de ser o governador da Judéia e, assim, escapasse do terrível erro que cometeu naquele dia.

No entanto, Pilatos não precisava ter falhado tão terrivelmente. Se ele tivesse sido simplesmente justo, e se mantivesse firme como uma rocha pelo que era certo, o dia teria se tornado um dia de honra eterna – e não de eterna descrença para ele. Mas a pergunta com a qual Pilatos enfrentava todas as crises não era: “O que é certo?” e sim “O que é mais interessante para mim?” Ele sabia que Jesus não era culpado de nada – ele confessou que não encontrou nenhuma falha nEle. Ele conhecia o motivo dos governantes religiosos – que por inveja eles O entregaram.

Mas, em vez de absolvê-lo diretamente, ele procurou por meios indiretos garantir sua libertação. Enviou-O a Herodes, pensando assim se livrar da responsabilidade de responder ele mesmo à questão. Com essa falha, ele implorou aos governantes que aceitassem Jesus como o prisioneiro a ser libertado naquela Páscoa. Mas eles recusaram, escolhendo Barrabás. A essa altura, Pilatos, perplexo e vencido, perguntou: “Que farei então com Jesus?” Instantaneamente veio a resposta: “Crucifica-o!” Ainda assim Pilatos implorou, impressionado com algo no prisioneiro diante dele, e temendo mandá-lo para a cruz. Mas a única resposta que obteve foi: “Liberte Barrabás! Crucifique Jesus!” Ele ainda lutava desesperadamente para evitar que Jesus morresse — mas tinha ido longe demais em sua contemporização. Então ele cedeu. Ele entregou o prisioneiro à vontade da multidão.

Depois, tomando água, lavou as mãos diante do povo, dizendo-se inocente do sangue do Justo que estava entregando à crucificação.

Pilatos perdeu a oportunidade. Ele é apresentado perante o mundo como um juiz que conhecia a inocência do Homem que estava diante dele – mas o enviou à cruz! Um escritor imaginativo, descrevendo a vida de Pilatos no mundo das trevas eternas, representaria Pilatos lavando as mãos para sempre, e depois olhando para elas para encontrá-las ainda e para sempre manchadas. Elas nunca ficarão limpas!


James Russell Miller (20 de março de 1840 – 2 de julho de 1912) foi um popular autor cristão, superintendente editorial do Conselho Presbiteriano de Publicação e pastor de várias igrejas na Pensilvânia e Illinois. O texto desta publicação se baseia no sermão de J. R. Miller intitulado “What shall i do with Jesus?” Disponível no portal Sermon Index, e foi traduzida, editada, organizada pelo site Teoloteca.

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